Arquiteto sistêmico
A
crise superada do “apagão” nos deixou algumas
importantes heranças e talvez a que mais se sobressaia seja a capacidade de
entendimento e mobilização da população para temas fundamentais como o uso
racional dos recursos energéticos.
É
certo que tudo que nos é imposto corre o risco de gerar uma
certa aversão mas o fato é que as pessoas acabaram realmente
economizando a energia necessária à superação da crise. Além disto, hoje já
podemos falar de Eficiência Energética como uma realidade totalmente pregnante e acessível à população urbana.
O
lema da Eficiência Energética que prega a utilização sábia e maximizada
dos recursos energéticos disponíveis, se insere
totalmente em um dos pilares do conceito de desenvolvimento sustentável na
medida em que força a adequação da demanda energética, fruto do crescimento
urbano, à limitada realidade da produção de energia disponível.
Nas
residências, um projeto eficiente energeticamente deve necessariamente começar
com a arquitetura. Não se concebe, por exemplo, que residências construídas no
nosso clima tropical necessitem de iluminação artificial durante o dia. Assim,
o projeto de arquitetura deve prever uma correta relação entre o tamanho das
janelas e a área do cômodo de forma a prover a quantidade necessária de luz
solar natural que cada atividade exige.
Outra
importante providência que o arquiteto deve levar com conta é com relação a climatização natural. É possível e viável, se fazer um
projeto em que o controle dos elementos do clima seja feitos através de
componentes da própria construção. Isto se consegue com um bom estudo da
orientação da edificação, dos materiais de revestimentos, da ventilação, das
proteções solares como os brises, varandas e pérgolas e com a vegetação. Uma casa climatizada
naturalmente evita a utilização do ar condicionado que é um equipamento que
consome bastante energia. E, em situações extremas, quando o ar condicionado
realmente se faz necessário, o seu consumo será diretamente proporcional à
quantidade de calor que ele precisará retirar do ambiente. Se este ambiente
estiver previamente climatizado naturalmente o consumo do equipamento será
minimizado. Esta é a essência do conceito de eficiência energética: usar
recursos e equipamentos com sabedoria.
Aliás,
o segmento dos equipamentos eletrodomésticos foi, sem dúvida, o que mais
evoluiu a partir da crise energética. Com a demanda por equipamentos de baixo
consumo as fábricas foram obrigadas a pesquisar soluções tecnológicas para
adequar seus equipamentos. O monitoramento do desempenho destes equipamentos é
feito pelo PROCEL, órgão da Eletrobrás que, ano a ano, avalia os equipamentos e
os classifica através de um selo de qualidade.
Um
bom projeto luminotécnico também é importante.
Iluminação em excesso , além de causar gastos
energéticos, propicia o aquecimento dos ambientes. Não devemos esquecer também
de utilizar sempre lâmpadas de baixo consumo, dimmers para controle
da iluminação e sistemas naturais de aquecimento como o aquecimento solar para
água do chuveiro.
Um
fator que se deve levar em conta é a complementariedade
dos conceitos, ou seja, procurar planejar uma construção de forma que os
recursos que visem à eficiência energética, interajam
entre si e se complementem em um projeto integrado. Para que isto ocorra é
muito importante que o cliente, ao estabelecer as diretrizes iniciais de seu
projeto, estabeleça a eficiência energética em todos os níveis como uma das
premissas fundamentais que vão orientar o arquiteto na execução do projeto.