Eficiência Energética nas residências

 

Mário Hermes Stanziona Viggiano

Arquiteto sistêmico

 

A crise superada do “apagão” nos deixou algumas importantes heranças e talvez a que mais se sobressaia seja a capacidade de entendimento e mobilização da população para temas fundamentais como o uso racional dos recursos energéticos.

É certo que tudo que nos é imposto corre o risco de gerar uma certa aversão mas o fato é que as pessoas acabaram realmente economizando a energia necessária à superação da crise. Além disto, hoje já podemos falar de Eficiência Energética como uma realidade totalmente pregnante e acessível à população urbana.

O lema da Eficiência Energética que prega a utilização sábia e maximizada dos recursos energéticos disponíveis, se insere totalmente em um dos pilares do conceito de desenvolvimento sustentável na medida em que força a adequação da demanda energética, fruto do crescimento urbano, à limitada realidade da produção de energia disponível.

Nas residências, um projeto eficiente energeticamente deve necessariamente começar com a arquitetura. Não se concebe, por exemplo, que residências construídas no nosso clima tropical necessitem de iluminação artificial durante o dia. Assim, o projeto de arquitetura deve prever uma correta relação entre o tamanho das janelas e a área do cômodo de forma a prover a quantidade necessária de luz solar natural que cada atividade exige.

Outra importante providência que o arquiteto deve levar com conta é com relação a climatização natural. É possível e viável, se fazer um projeto em que o controle dos elementos do clima seja feitos através de componentes da própria construção. Isto se consegue com um bom estudo da orientação da edificação, dos materiais de revestimentos, da ventilação, das proteções solares como os brises, varandas e pérgolas e com a vegetação. Uma casa climatizada naturalmente evita a utilização do ar condicionado que é um equipamento que consome bastante energia. E, em situações extremas, quando o ar condicionado realmente se faz necessário, o seu consumo será diretamente proporcional à quantidade de calor que ele precisará retirar do ambiente. Se este ambiente estiver previamente climatizado naturalmente o consumo do equipamento será minimizado. Esta é a essência do conceito de eficiência energética: usar recursos e equipamentos com sabedoria.

Aliás, o segmento dos equipamentos eletrodomésticos foi, sem dúvida, o que mais evoluiu a partir da crise energética. Com a demanda por equipamentos de baixo consumo as fábricas foram obrigadas a pesquisar soluções tecnológicas para adequar seus equipamentos. O monitoramento do desempenho destes equipamentos é feito pelo PROCEL, órgão da Eletrobrás que, ano a ano, avalia os equipamentos e os classifica através de um selo de qualidade.

Um bom projeto luminotécnico também é importante. Iluminação em excesso , além de causar gastos energéticos, propicia o aquecimento dos ambientes. Não devemos esquecer também de utilizar sempre lâmpadas de baixo consumo, dimmers  para controle da iluminação e sistemas naturais de aquecimento como o aquecimento solar para água do chuveiro.

Um fator que se deve levar em conta é a complementariedade dos conceitos, ou seja, procurar planejar uma construção de forma que os recursos que visem à eficiência energética, interajam entre si e se complementem em um projeto integrado. Para que isto ocorra é muito importante que o cliente, ao estabelecer as diretrizes iniciais de seu projeto, estabeleça a eficiência energética em todos os níveis como uma das premissas fundamentais que vão orientar o arquiteto na execução do projeto.