SUSTENTABILIDADE NA PÓS OCUPAÇÃO

 

Mário Hermes Stanziona Viggiano

 

A Construção Civil é, sem dúvida, uma das principais fontes de geração de riqueza e emprego. As construtoras pelo Brasil lançam diariamente fabulosos empreendimentos que visam cativar um público cada dia mais ávido por conforto e tecnologia. Poucos são, no entanto, os empreendimentos que se preocupam com a pós-ocupação do bem imóvel, ou seja, o que vai acontecer com a construção ao longo de sua vida útil e de que forma serão mantidas as condições iniciais propostas pelo empreendimento.

 

Os Códigos Legais estabelecem uma garantia contratual de cinco anos para os danos causados pelo mau emprego da mão-de-obra ou pela baixa qualidade dos materiais. Por outro lado, quais são as garantias que o comprador tem com relação a vitalidade física e financeira dos sistemas empregados no imóvel adquirido? Qual a garantia, por exemplo,  de que esta construção é confortável climaticamente durante todas as estações do ano, que o consumo de energia e água vão estar dentro dos patamares aceitáveis, e que os materiais empregados não vão causar danos futuros ao meio ambiente?

 

Nos últimos anos no Brasil, foram difundidos cós conceitos de “edifícios inteligentes” como sendo unidades capazes de se auto-gerirem a partir de mecanismos domóticos de controle. Uma análise dos resultados alcançados com alguns destes projetos, demonstram sua incapacidade de adequação aos critérios mínimos de sustentabilidade pós-ocupacional.  São prédios cimaticamente inadequados que consomem quantidades enormes de energia apesar de terem instalados os ditos “sistemas inteligentes”. Quem paga a conta? Em primeira instância o comprador do imóvel e no final, toda a sociedade com o custo social que o consumo energético excessivo gera.

 

Na verdade, muita coisa pode ser feita com pouquíssimos investimentos adicionais. O que falta é uma consciência de que algo deve mudar e, principalmente, iniciativa por parte dos investidores e construtores. Tudo começa com o projeto de arquitetura que deve ser orientado no sentido de se ter uma construção climaticamente adaptada. Além disto, o projeto das instalações hidráulicas deve prever uma separação das águas potáveis e não potáveis para que, a qualquer momento, possa-se fazer um aproveitamento das águas da chuva. As instalações sanitárias também devem ser separadas para que se possa direcionar as chamadas águas cinzas para um tratamento e posterior reuso na irrigação. Toda a instalação elétrica e luminotécnica deve prever uma eficiência energética com a possibilidade de implantação de equipamentos de baixo consumo. A iluminação deve aproveitar o potencial natural durante o dia e, por fim, deve-se pensar sempre em uma climatização natural utilizando equipamentos eletrônicos somente em casos extremos.

 

Chega o momento em que as Construtoras e Incorporadoras, além dos profissionais de projeto envolvidos, devem se preocupar um pouco menos com a sofisticação dos acabamentos e dos recursos tecnológicos aplicados ao imóvel e mais com a qualidade de vida, com o conforto e com os gastos futuros do comprador do imóvel.