A sustentabilidade nos projetos residenciais

 

Mário Hermes Stanziona Viggiano

Arquiteto sistêmico

 

O espaço que nos foi aberto pela revista Casa Conectada para falar dos assuntos ligados à sustentabilidade na arquitetura revela, na verdade, um marco.

A palavra, muito em voga, circula livremente nos compêndios acadêmicos e na mídia através da propaganda de grandes empresas que já começam a se conscientizar da nova realidade mas, raramente, a vemos apresentada em revistas técnicas para um público que espera soluções práticas e viáveis que se enquadrem na sua realidade cultural e financeira.

A ousadia de ocuparmos este espaço é conseqüência do processo natural de procura e oferta. Temos hoje uma grande quantidade de pessoas conectadas com os problemas ambientais locais e mundiais e que solicitam em seus projetos, soluções de arquitetura que reflitam uma preocupação com o meio ambiente e com os recursos naturais finitos.

Um projeto sustentável, por definição, é aquele capaz de proporcionar benefícios na forma de conforto, satisfação e qualidade de vida, sem comprometer a infra-estrutura presente e futura dos insumos, gerando o mínimo possível de impacto no meio-ambiente e alcançando o máximo possível de autonomia. Na prática temos vários recursos já disponíveis ao público em geral na forma de produtos e sistemas que espelham esta filosofia e nos próximos artigos estaremos debatendo as maneiras práticas de utilização no dia-a-dia da arquitetura.

Um projeto sustentável começa com uma arquitetura dimensionada ao clima no qual ela está inserida. A verdadeira “inteligência” de um edifício revela a forma com que ele foi projetado em relação às condicionantes climáticas para gerar uma necessidade básica do ser humano que é o conforto. Inúmeras experiências nos mostram que boa parte do que se consegue obter de conforto ao nível residencial provém de meios naturais e pode ser conseguido a partir da correta utilização de materiais construtivos, da orientação da edificação em relação ao sol e os ventos, do tamanho das aberturas, do tamanho e orientação dos cômodos, das cores, da presença ou da eliminação de elementos como a água e da utilização da vegetação.

Além dos recursos naturais de que dispomos na chamada Arquitetura Bioclimática, muito se pode fazer ao nível dos equipamentos que operam diretamente na minimização dos impactos ambientais e até na obtenção de retornos financeiros na forma de economia de insumos como por exemplo, a água. Hoje já dispomos de equipamentos próprios para a coleta e tratamento da água da chuva, para o tratamento de esgoto residencial, equipamentos e sistemas economizadores de energia e outros que são capazes até de gerar a nossa própria energia elétrica a partir de fontes inesgotáveis como o sol e os ventos.

Aliás, água e energia compõem o dueto singular da sustentabilidade e um projeto para ser considerado sustentável deve saber equacionar os dois elementos na medida certa do que pode ser economizado, reaproveitado ou descartado.

Muito se pode falar sobre a sustentabilidade mas uma coisa nunca deve ser esquecida: sustentabilidade se faz no dia-a-dia, se faz nas grandes mas principalmente nas pequenas ações, se faz nos atos simples que representam a grande maioria dos humanos habitantes da terra.