Arquiteto sistêmico
O
espaço que nos foi aberto pela revista Casa Conectada
para falar dos assuntos ligados à sustentabilidade na arquitetura revela, na
verdade, um marco.
A
palavra, muito em voga, circula livremente nos compêndios acadêmicos e na mídia
através da propaganda de grandes empresas que já começam a se conscientizar da
nova realidade mas, raramente, a vemos apresentada em
revistas técnicas para um público que espera soluções práticas e viáveis que se
enquadrem na sua realidade cultural e financeira.
A
ousadia de ocuparmos este espaço é conseqüência do processo natural de procura
e oferta. Temos hoje uma grande quantidade de pessoas conectadas com os
problemas ambientais locais e mundiais e que solicitam em seus projetos,
soluções de arquitetura que reflitam uma preocupação com o meio ambiente e com
os recursos naturais finitos.
Um
projeto sustentável, por definição, é aquele capaz de proporcionar benefícios
na forma de conforto, satisfação e qualidade de vida, sem comprometer a
infra-estrutura presente e futura dos insumos, gerando o mínimo possível de
impacto no meio-ambiente e alcançando o máximo possível de autonomia. Na
prática temos vários recursos já disponíveis ao público em geral na forma de
produtos e sistemas que espelham esta filosofia e nos próximos artigos
estaremos debatendo as maneiras práticas de utilização no dia-a-dia da
arquitetura.
Um
projeto sustentável começa com uma arquitetura dimensionada ao clima no qual
ela está inserida. A verdadeira “inteligência” de um edifício revela a forma
com que ele foi projetado em relação às condicionantes climáticas para gerar
uma necessidade básica do ser humano que é o conforto. Inúmeras experiências
nos mostram que boa parte do que se consegue obter de conforto ao nível
residencial provém de meios naturais e pode ser conseguido a partir da correta
utilização de materiais construtivos, da orientação da edificação em relação ao
sol e os ventos, do tamanho das aberturas, do tamanho e orientação dos cômodos,
das cores, da presença ou da eliminação de elementos como a água e da
utilização da vegetação.
Além
dos recursos naturais de que dispomos na chamada Arquitetura Bioclimática,
muito se pode fazer ao nível dos equipamentos que operam diretamente na
minimização dos impactos ambientais e até na obtenção de retornos financeiros
na forma de economia de insumos como por exemplo, a
água. Hoje já dispomos de equipamentos próprios para a coleta e tratamento da
água da chuva, para o tratamento de esgoto residencial, equipamentos e sistemas
economizadores de energia e outros que são capazes
até de gerar a nossa própria energia elétrica a partir de fontes inesgotáveis
como o sol e os ventos.
Aliás,
água e energia compõem o dueto singular da sustentabilidade e um projeto para
ser considerado sustentável deve saber equacionar os dois elementos na medida
certa do que pode ser economizado, reaproveitado ou descartado.
Muito
se pode falar sobre a sustentabilidade mas uma coisa
nunca deve ser esquecida: sustentabilidade se faz no dia-a-dia, se faz nas
grandes mas principalmente nas pequenas ações, se faz nos atos simples que
representam a grande maioria dos humanos habitantes da terra.