Tecnologia e flexibilidade

 

Por Mário Hermes Stanziona Viggiano

Arquiteto

 

O espaço da moradia moderna se apresenta como uma vitrine de equipamentos e tecnologias que buscam cada vez mais o conforto do morador em suas horas de lazer. A infra-estrutura que estes equipamentos requerem deve ser bem equacionada ao nível do projeto inicial por parte do Arquiteto porque, muitas vezes, a ausência de condições técnicas pode inviabilizar a instalação ou a atualização de sistemas.

Assim, quando falamos em infra-estrutura devemos ter sempre em mente a flexibilidade que os sistemas devem possuir para acompanhar as constantes mudanças de tecnologia.

Uma das soluções arquitetônicas que mais ilustram o conceito de flexibilidade são os chamados “armários de instalações” que são pequenos nichos ou compartimentos dotados de portas de acesso no qual passam as tubulações de água, esgoto sanitário, elétrica, rede lógica e outras instalações especiais. A concentração das tubulações em um só compartimento gera uma facilidade enorme na manutenção predial, com a possibilidade inclusive de se cadastrar e identificar (através de cores) estas tubulações para futuras trocas ou reparos. Armários bem dimensionados e com acessos diretos desde a origem até o destino das redes de instalações,  possibilitam a adição de novas tubulações e cabeamento, facilitando uma reciclagem em sistemas que, na disposição tradicional, estariam congelados e impossibilitados de atualização.

Outro recurso interessante para a utilização em residências e que está afinado com o conceito da flexibilidade é o chamado cabeamento estruturado que consiste em se disponibilizar pontos de computador em rede, periféricos e telefonia a partir de cabos e pontos não dedicados que se articulam em um painel de conexões cruzadas. Cada ponto da residência é um ponto mutante que muda de função na medida exata da necessidade do ocupante. O percurso que o cabo deverá fazer da origem (painel) até o ponto de utilização também deve ser foco de atenção do projeto. Uma solução criativa para a alocação do cabeamento é a utilização de canaletas na parede que se ocultam com largos roda-pés.

Projetar com a filosofia da flexibilidade implica necessariamente em se comprometer com as exigências de casa sistema. Devem-se abandonar os métodos de projeto que colocam as instalações e os sistemas especiais como “projetos complementares” ao projeto arquitetônico, sempre executados em uma etapa posterior, de forma apressada e sem nenhuma possibilidade de se proceder as revisões e compatibilizações necessárias. Assim, cabe ao arquiteto a obrigação de definir os espaços agregando a eles no mínimo, um estudo preliminar do fluxograma dos sistemas da residência, tornando possível  a adequação da arquitetura com os sistemas prediais ainda na etapa do projeto executivo. Este procedimento é fundamental para a redução dos chamados “gatos” da obra.

Um projeto flexível também deve ser capaz de suprir as necessidades físicas e estéticas dos usuários do presente levando em conta que este mesmo usuário pode mudar sua vida e suas necessidades de conforto a qualquer momento no futuro.  Deve-se pensar também que um mesmo programa de residência que atende bem a uma família hoje pode precisar de adaptações se a casa for vendida a outra família.