Arquiteto
O espaço da moradia moderna se
apresenta como uma vitrine de equipamentos e tecnologias que buscam cada vez
mais o conforto do morador em suas horas de lazer. A infra-estrutura que estes
equipamentos requerem deve ser bem equacionada ao nível do projeto inicial por
parte do Arquiteto porque, muitas vezes, a ausência de condições técnicas pode
inviabilizar a instalação ou a atualização de sistemas.
Assim, quando falamos em
infra-estrutura devemos ter sempre em mente a flexibilidade que os
sistemas devem possuir para acompanhar as constantes mudanças de tecnologia.
Uma das soluções arquitetônicas
que mais ilustram o conceito de flexibilidade são os chamados “armários de
instalações” que são pequenos nichos ou compartimentos dotados de portas de
acesso no qual passam as tubulações de água, esgoto sanitário, elétrica, rede
lógica e outras instalações especiais. A concentração das tubulações em um só
compartimento gera uma facilidade enorme na manutenção predial, com a
possibilidade inclusive de se cadastrar e identificar (através de cores) estas
tubulações para futuras trocas ou reparos. Armários bem dimensionados e com
acessos diretos desde a origem até o destino das redes de instalações, possibilitam a
adição de novas tubulações e cabeamento, facilitando
uma reciclagem em sistemas que, na disposição tradicional, estariam
congelados e impossibilitados de atualização.
Outro recurso interessante para a
utilização em residências e que está afinado com o conceito da flexibilidade é
o chamado cabeamento estruturado que
consiste em se disponibilizar pontos de computador em rede, periféricos e
telefonia a partir de cabos e pontos não dedicados que se articulam em um
painel de conexões cruzadas. Cada ponto da residência é um ponto mutante que
muda de função na medida exata da necessidade do ocupante. O percurso que o
cabo deverá fazer da origem (painel) até o ponto de utilização também deve ser
foco de atenção do projeto. Uma solução criativa para a alocação do cabeamento é a utilização de canaletas
na parede que se ocultam com largos roda-pés.
Projetar com a filosofia da
flexibilidade implica necessariamente em se comprometer com as exigências de
casa sistema. Devem-se abandonar os métodos de projeto que colocam as
instalações e os sistemas especiais como “projetos complementares” ao projeto
arquitetônico, sempre executados em uma etapa posterior, de forma apressada e
sem nenhuma possibilidade de se proceder as revisões e compatibilizações
necessárias. Assim, cabe ao arquiteto a obrigação de definir os espaços
agregando a eles no mínimo, um estudo preliminar do fluxograma dos sistemas da
residência, tornando possível
a adequação da arquitetura com os sistemas prediais ainda na
etapa do projeto executivo. Este procedimento é fundamental
para a redução dos chamados “gatos” da obra.
Um projeto flexível também deve
ser capaz de suprir as necessidades físicas e estéticas dos usuários do
presente levando em conta que este mesmo usuário pode mudar sua vida e suas
necessidades de conforto a qualquer momento no futuro. Deve-se pensar também que um mesmo programa
de residência que atende bem a uma família hoje pode precisar de adaptações se
a casa for vendida a outra família.